Impactos da guerra. Montenegro critica "caminho estúpido" do ponto de vista social e económico
O primeiro-ministro afirmou esta quinta-feira que o conflito no Médio Oriente está a "penalizar muito" Portugal e a Europa. Considera que está a ser seguido "um caminho, do ponto de vista económico e social, estúpido". Internamente, disse que Portugal está "a caminho do quarto superavit consecutivo".
Na abertura da conferência europeia da economia alemã, promovida pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Alemã, em Lisboa, Luís Montenegro referiu-se ao "aparentemente interminável conflito no Médio Oriente".
"É, sob o ponto de vista económico, verdadeiramente uma situação insustentável, chega mesmo a ser absurdo, para não usar uma expressão mais forte, que estejamos todos a ser penalizados e não consigamos dar a volta", disse.
O chefe do Governo que diz que tem insistido junto dos parceiros europeus e nas instâncias internacionais" para que se ponha cobro a este caminho".
"Eu vou mesmo dizê-lo: é um caminho do ponto de vista económico e social estúpido, não beneficia ninguém, prejudica-nos a todos, não tem um racional, não tem um sentido", afirmou. 1766040###Jornal da Tarde | 17 de setembro de 2026
Montenegro acrescentou: "Nós podemos e devemos proteger o mundo das ameaças terroristas, das ameaças nucleares, nós não podemos nem devemos pôr as pessoas a sofrer de forma injustificada por fatores que não conseguimos dominar", afirmou.Quarto superávite
"Vamos a caminho do nosso quarto superávite consecutivo", afirmou o primeiro-ministro, uma semana depois de o ministro das Finanças ter assegurado que o objetivo será ter no final do ano, pelo menos, um saldo orçamental nulo.
Montenegro destacou que, logo a seguir a esta conferência, irá presidir ao Conselho de Ministros que vai aprovar "a quinta descida do IRS", já anunciada na semana passada.
"É a quinta vez em 2,5 anos que nós baixamos os impostos sobre rendimento do trabalho, em particular da classe média", afirmou.
Na sua intervenção, assegurou que o Governo está consciente "das dificuldades, do sofrimento das famílias e das empresas" com o aumento dos combustíveis, "e por via deles em toda a cadeia produtiva".
"Apesar de tudo isso, estamos fortes", assegurou, destacando, que apesar das circunstâncias "deste ano atípico", Portugal cresceu no segundo trimestre 2,5, "mais do dobro da média da União Europeia e da área do euro".
O primeiro-ministro acrescentou que os trabalhadores portugueses tiveram, em média, "uma valorização de cerca de 15% do seu rendimento líquido nos anos de 2024 a 2025".
"15% não é um número qualquer. É mais ou menos o equivalente a dois ordenados mensais, a dois vencimentos mensais (ao fim de um ano). Às vezes nós, com determinados números, não conseguimos transformá-los de maneira a que as pessoas em casa nos percebam", referiu.
Montenegro defendeu que as contas públicas equilibradas não são apenas "um objetivo ou um número", significam que o Estado se pode financiar a um custo mais baixo.
c/ Lusa